24 de março de 2026

Eu sou muito mais criativa quando eu sinto. 
E eu sinto quando estou triste.

Muito mais de que quando eu estou feliz, eu sinto intensamente quando eu estou triste. 
Eu não gosto de estar depressiva, mas eu sei que há uma força motriz tão significativa em mim quando eu estou mal. Eu sou capaz de criar, de compreender e de viver... viver na máxima potência. 
Não vou mentir, eu gosto dessa minha tristeza, essa tristeza que é quase poética, imensamente artística, afinal, para a mim, a arte é melancólica, triste. A arte, mas que tudo, me toca quando me faz triste, reflexiva, profunda...

Ultimamente tenho sintido uma apátia pelos dias, pessoas e acontecimento. Um sentimento neutro pela vida, pelo mundo, uma falta de significado e propósito. Minha arte é mediana, meus escritos são robóticos, outras criações nem acontecem... 
Ultimamente, quando estou triste é só e apenas pela dor, uma tristeza pela tristeza, tristeza pela saudade, pela falta, pelo medo. Essa tristeza eu não gosto, essa tristeza é a que pode me matar, até mesmo porque, nesse momento, eu me sinto metade morta, metade vagante, metade esperando a outra metade morrer.
Essa tristeza não é a que me faz viver, criar, sentir, essa tristeza é só a lágrima que insiste em correr e me afogar, ela não me inspira, ela só... me mata.

O que me preocupa da tristeza, seja a que me faz sintir ou a que me mata, é que ela não mata só a mim, ela traumatiza quem me rodeia, ela fere quem me ama, ela me deixa tão perto da profundeza que ela pode afogar a mim e a quem tenta me salvar.

Eu sinceramente não sei o que me aterroriza mais: sentir ou não sentir. E, na minha cabeça, a felicidade é tão momentânea que nunca vai entrar na equação, pois ela não se sustenta, ela vem, alegra, vai e quem fica é a tristeza ou a apatia.
No final do dia, só há duas opções.

Há muito tempo eu aprendi que minha âncora, o que me faz entender o mundo, me sustenta, me centraliza, são as coisas e pessoas que amo, quando me desconecto, eu me perco, eu desafino, erro traço, perco o ponto, perco o tom... eu morro.

Provavelmente é por isso que metade de mim se foi, pois eu me desconectei realmente e irremediavelmente de quem fez metade de mim, de quem me enxergava, de quem me via, se orgulhava de mim, de quem fez metade do que sou. Literalmente e figurativamente. Essa desconeção foi tão profunda, que foi física e impossível de digerir, porque não era alimento, era morte. 
Eu morri, morreu ali quem fui até o último dia que eu ainda tinha esperança. Morri não quando recebi a ligação, morri quando aceitei, morri quando fechei o caxão, morri quando peguei a declaração de óbito, morri porque eu nunca mais serei a mesma contigo ao meu lado, morri porque eu não sei viver só sendo metade em um mundo que pude ser tão inteira.

Como voltar a viver, como voltar a sentir, mesmo que seja a tristeza que eu gosto é o que me resta. 
Mas conectar-me com o que amo, ouvir as músicas que me fazem sentir, ver os filmes que me tocam, ler - de verdade - os livros que me fazem sorrir e chorar, parece tão fútil, tão sem significado, tão inútil... No entanto, ao mesmo tempo, a única chance que tenho de viver, de voltar a sentir é (eu sei! mesmo que me aterrorize) sentir, sentir tão profundamente! Essa é a minha única chance de não fechar a tampa do caixão...

















...ou fechá-lo de uma vez por todas.


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