segunda-feira, 4 de julho de 2016

Gratidão

                Desde 2013 eu tenho uma palavra pessoal que representa cada ano, 2013 foi fé, 2014 foi amor, 2015 foi amizade, esse ano é gratidão.
                Eu não escolho as palavras, elas me escolhem, elas se tornam vivas e eu só as leio na história que se constrói durante aqueles meses, às vezes ela é fácil de entender, as vezes eu só a entendo lá por dezembro, esse ano eu descobri a palavra nos primeiros meses, pois eu entendi que eu devia agradecer, só agradecer.
                Eu agradeci por mais um ano, eu agradeci por ter conseguido a minha habilitação, agradeci pelos sorrisos, pelos abraços, pelos amigos, pela iniciação científica, pela bolsa, pelos congressos, pelos meus pais, pelas minhas sobrinhas, pelos meus irmãos, pela minha cunhada, pela minha família, pelos professores incríveis, pela surpresa de aniversário, pelos posts e mensagens mais lindas que eu recebi na vida, por todos os livros, pela confiança, por tudo que eu consegui comprar, por tudo que consegui conquistar, pelas festas, pelos shows, pelos meninos, por todas as coisas boas... Mas eu tive momentos em que eu não conseguia enxergar mais nada bom pelo que agradecer, teve dias que eu não tinha nada pelo que agradecer e foi aí que eu entendi, que eu aprendi o porque eu precisava tanto agradecer não só quando tudo era bom, mas agradecer sempre.
                Eu tenho aprendido tanto nesse ano, tanto.
                Eu me lembro que em 2014, lá no cursinho, tinha um grupo que nós chamávamos do "grupo da gratidão", o estereótipo dos estudantes de humanas, sabe?! E o quão irônico sou eu tão de humanas falar de estereótipos, mas foi ali que aprendi o verdadeiro significado de ser um estereótipo, e não falo só pelo “tipo” de humanas, mas também pelo “tipo” de gratidão. Lembro da Mari me dizer que gratidão não é só receber algo e dizer em troca a palavra, mas é sentir profundamente o significado dessa palavra. Não é uma troca, é um sentimento verdadeiro que vem de dentro e você externaliza não só com uma palavra.
                Eu entendi na época a teoria daquilo, hoje eu entendi a prática.
                Hoje não era pra ser uma dia que eu deveria sentir gratidão, porque exatamente há 11 anos eu senti a maior perda da minha vida até hoje, foi um dos momentos que eu mais odiei Deus, onde eu me senti só, completamente só. Eu levei sete anos pra perdoar Deus, sete anos pra agradecer por algo que ainda dói, porque os mistérios de Deus, hoje eu sei, são extremamente maiores do que eu, eu levei sete anos para entender que maior que a minha dor é a alegria do descanso de quem amamos, a gratidão por termos tido a chance de sentir aquele amor, a gratidão de não ter sido só, a gratidão de não ser só, mesmo que eu não veja e eu não toque.
                Hoje doeu ser grata, como dói sempre sobre isso, mas hoje eu tive mais motivos ainda para agradecer do que aqueles pelos quais eu entendi que deveria ser. No dia de hoje eu não estive só, eu estive com pessoas que eu considero presentes preciosos, eu me senti cuidada, eu me senti respeitada, eu me senti amada e não foi por pena nenhum desses sentimentos, eles foram essencialmente por amor. A grande parte das pessoas nem sabia que dia era hoje, elas só estiveram lá, alguns nem sabem que fizeram parte deste dia, mas o exemplo de amor deles se fez presente, e eles, cada um de um jeito, só me amaram e a única amiga para quem eu falei sobre a minha dor não me tratou com pena, mas com profundo carinho, me ouviu, disse palavras que curaram um pouco a dor que lateja, foi como se ela me pegasse no colo.
                E eu sou, e sempre serei, profundamente grata por cada um que passou pela minha vida, por aqueles que estão e principalmente por aqueles que me fizeram enxergar que eu não estou só nem hoje e nem em momento algum.
                Hoje eu pude agradecer porque como há 11 anos o meu pai, minha mãe, meu irmão e eu estivemos juntos, ninguém disse nada sobre o dia de hoje naquele momento, não teve choro, abraços, mas todos nós sentíamos saudades, todos nós estávamos enfrentando nossos demônios, e, principalmente, nós quatros estávamos ali, estávamos juntos mesmo que por alguns momentos e isso aconteceu para nos lembrar que um não é sem o outro, que o que nos une não é só sangue, mas é o amor de um Deus que nos fez família, nos fez sagrados enquanto essência e eu, novamente, só consigo sentir gratidão.

                Só gratidão.


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