sexta-feira, 10 de julho de 2015

Se o amor permanecer

Hoje é o final da novela das 6, se eu disser que já assistiu 10 capítulos inteiros dela, ou que se juntar todos os pedaços que assisti dá esse 10 capítulos é mentira.
Sei o nome de 4 personagens, eu acho, mas enfim, quero só salientar que não sei muito, ou melhor, quase nada sobre a novela, mas dos pedaços que vi acabei reparando em um casal, a mulher era psicóloga, eu acho, ele era o melhor amigo no personagem principal, sim, isso é tudo que sei.
O fato é que eu vi que eles separaram e ambos se relacionaram com outras pessoas, ela disse que queria viver e num determinado momento ela foi convidada a fazer um curso fora do Brasil e num dialogo com a irmã ela disse algo como: “eu não tive filhos para não me prender, mas com no meu relacionamento eu me senti presa.” Se não foi isso, foi próximo. Sei que ela se questionava não só pelo ex-marido, mas pelo relacionamento que estava tendo, fiquei encucada com essa cena, para ver o desfecho, se ela iria ou não, mas não iria assistir toda a novela por isso.


Só que hoje eu vi algumas cenas do capitulo final e ela e o ex apareceram. Ela ia para curso. Perguntei para minha mãe como tinha ficado o outro, o novo moço da vida dela, minha mãe disse que ele não queria que ela fosse. Atentei-me ao dialogo que se seguiu, então, pelos personagens. Foi algo, mais ou menos, assim:
“(...) No dia que te vi entrando com ela no restaurante eu senti ciúmes”
“Devo tomar isso como um progresso ou como um regresso?”
“Eu não sei, mas se o amor que temos permanecer um dia nós voltamos a nos encontrar.”
Eu segurei alguma lágrima que começou a se fazer presente nos meus olhos, pode parecer algo bem bobo até, mas é tão real, tão fora da caixa, talvez o verdadeiro amor.
Não só amor pelo outro, mas amor por si e amor pelo amor. 
Num mundo que você ouve desde pequeno as histórias dos contos de fadas, as músicas bonitas sobre romance, sobre paixão e felizes para sempre é bem difícil não costurar teus pedaços para que no final seja a mesma história a ser contada, só que o mundo não é assim.
Nós nos idealizamos, idealizamos os relacionamentos que nos cercam, por isso é tão estranho quando alguém não dá certo, porque nós vemos só o que queremos ver, e sejamos sinceros, quem quer ver a dor pura e simples?
Muitas vezes eu questionei a Deus – que é aonde foco e busco o equilíbrio – o porquê de eu ser tão fora de vários padrões, muitos padrões só eu sei que não pertenço, o porquê de não sentir como fundamental ter um namorado, um marido, filhos, uma família, o porquê de querer, hoje e pra sempre, viver estudando e escrevendo, de ter uma vida que seja minha. Seria mentirosa se dissesse que nunca quis e nem quero ninguém para construir uma vida junto, sonhar e realizar, mas acho que essa é a diferença, eu quero construir algo junto, algo que seja dos dois, sonhar e realizar e não viver o que outros já viveram e mostraram o caminho.
Eu quero sentir por alguém algo tão forte que eu vou acreditar nisso mesmo que o tempo passe, mesmo que a distância exista e que eu tenha que estar lá realizando sonhos meus e ele aqui realizando sonhos dele. Um sentimento tão grande que eu possa beijar outras bocas, descobrir outros corpos, mas que eu nunca estarei preenchida, porque não é aquela pessoas.
Quero sentir um sentimento tão forte que me faça viva. Um sentimento tão forte que seja forte o suficiente mesmo que ele, obrigatoriamente, tenha que ser menor que o sentimento que preciso ter por mim mesma.
A certeza de amar é que no dia a dia você olha para trás e escolhe viver aquile sentimento mais um dia, é dizer sim novamente quando a dor for maior que o sorriso. É ter uma briga alucinante, chorar, sair de casa, mas ser capaz de perdoar e confiar de novo. É dar a vida, é sonhar junto, é respeitar, é permitir que o outro seja grande mesmo que você queira ser pequeno, é saber a hora de seguir por um caminho diferente na certeza que se for para estar junto mais uma vez o amor os unirá de novo, mas se não, tudo que foi, foi puro amor, mesmo quando ele foi lágrima e sangue.
Pois todos deveriam sentir como Clarice um dia disse:
"E foi tão corpo que foi puro espírito"

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