domingo, 16 de novembro de 2014

mothú

Fui procurar no dicionário o significado da palavra sentimento e o que achei, por mais correto que estivesse, pareceu aos meus olhos tão superfulo.
Sentimento é algo tão completo e às vezes acho que ele rege mais o mundo que o próprio amor, porque de certa maneira o amor segui um sentido, já o sentimento é tudo, é todos, é ao mesmo tempo único e multifacetado.
De certo que o sentimento nada mais é, por vezes, sensações e estas  passam, mas acredito que se elas não existissem não seriamos capazes de mover um dedo sequer.
Não acho que devemos ser reféns das sensações, mas pensando melhor, o desejo de ser reto e contido não é também um sentimento?
Quantas vezes vamos ao céu e ao inferno em demanda de segundos? Quantas vezes o olhar que brilhava, chora de tristeza?
E como é bom o sentimento que o cheiro de comida de mãe trás depois de 17 dias longe de casa.
Como é bom o sentimento que o seu próprio perfume, que tanto gosta, impregnado na blusa de frio trás.
Como é bom o sentimento que o cheiro do perfume de quem se gosta impregnado na blusa da gente, no nosso corpo trás até nós, até o nosso coração.
Como nos força a viver o sentimento de ser melhor, ou até mesmo o sentimento de derrota que nos faz chorar, mas logo após nos faz levantar a cabeça e mostrar aos outros e principalmente a si próprio que se pode dar a volta por cima.
Como é bom se sentir amado e sentir que pode amar, mesmo que nunca mais se possa ver novamente, mas é tão bom saber que um dia foi capaz de amar.
Como é bom o sentimento de estar no lugar que sempre sonhou estar.
Como é bom o sentimento de fechar os olhos e sorrir ao se lembrar dos bons momentos, como por exemplo o caminhar pela ponte que vagou seus sonhos, ou o obrigado mais esperado do mundo, ou o apenas se sentar de chinelos diante da roda gigante encantada que você nunca irá se esquecer. Ou do melhor abraço do amigo que nem é mais amigo, ou do abraço e beijo das sobrinhas e dos pais que são e serão sempre tudo para ti.
Como é empolgante ler textos antigos e sentir orgulho de si.
Como é bom rabiscar uns desenhos e por neles significados demasiados pessoais e depois deixá-los para sempre expressos na sua pele.
Como é triste sentir a perda de quem nunca mais tu poderás olhar e abraçar e mais triste sentir isso daqueles que estão ao teu lado, mas ao mesmo tempo tão distantes. E é esse sentimento sempre me dói, em suas duas faces, em seus dois extremos. Talvez até mesmo este seja o sentimento que eu mais convivo com, mas ao mesmo tempo é esse sentimento que me faz ver que eu sou livre, tão livre que estou destinada a ser só.
Mas eu compreendo hoje que ser só, para mim, não é tão ruim, porque por mais que eu precise passar a vida inteira sem alguém que me acompanhe do inicio ao fim, eu ainda terei companheiros pelo caminho, amigos de meses, talvez anos, nunca de uma vida toda, mas eu sei que meu trunfo é sentir, sentir intensamente e assim ser intensamente.
Os extremos se antagonizam e se completam porque sentir é isso. Sentir é deixar o sangue correr nas veias e pulsar pelas mesmas. É ter o coração descompassado e o sorriso rasgado, ou a lágrima a borrar a maquiagem muito bem posta. É subir no salto e ranca-los pouco depois para dançar com as primas na pista de dança. É fazer uma agenda pessoal exemplar para no dia seguinte esquecer que ela existe e só viver tudo a seu próprio tempo. É suspirar pelo rapaz da loja de celulares ou do metrô e chorar pelo crush da boyband.

E por mais que não entendam, sentimento não é uma decisão, antes a decisão é um sentimento.

"When my head’s overgone and my memory fades
And the crowds don't remember my name
When my hands don’t play the strings the same way
I know you will still love me the same"

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