quinta-feira, 20 de novembro de 2014

HÉROIS

Um senhor com seus 40 anos mais ou menos estava sentado junto a sua família assistindo TV depois de um longo dia de trabalho.
Ele havia lutado cansativamente todos esses anos para conseguir uma vida estável e com segurança para aqueles a quem amava. Ele estava bem até que a programação de tv normal é interrompida. Ele sabia que todos os cidadãos, assim com ele, estavam alerta naquele momento por causa de um plantão de última hora que historicamente só anunciava tragédias.
Havia acontecido um ataque aéreo a uma escola de militar. Os jovens inocentes que ali estudavam e que eram o futuro de seu país tinham agora suas famílias chorando, pois esses jovens estavam mortos e nunca mais voltariam para suas casas.

Ele ouviu sua esposa soluçar do seu lado ao se compadecer com aquela tragédia. Uma revolta lhe tomou as veias quando anunciaram que tal ato monstruoso foi planeado e praticado por um povo fanático de algum país distante que só pregava o ódio e a destruição. Anunciaram também que o avião havia sido abatido e que nenhum deles sobrevivera. “Pelo menos isso”, pensou ele.
Dormiu aquela noite revoltado, afinal era descabido e inaceitável matar inocentes assim.
Depois daquele dia só o que se falava na mídia, no serviço, nas rodas de amigos e reuniões de família era a busca da solução para acabar com aquele ódio. Todos só chegavam à conclusão que tamanho mal precisava ser combatido, os lideres precisavam ser mortos e o terror posto a baixo.
Era isso, a Guerra contra o terror precisava começar.
Ele sabia que para essa guerra acontecer era necessário que houvesse voluntários e ele precisava ser um. Talvez morresse, mas o preço valia, afinal precisava deixar um mundo seguro para sua filha que ainda era tão pequena e frágil.
Sua esposa e mãe choraram e o tentaram impedir, seu pai mesmo com pesar sabia que seu filho estava fazendo o certo. Ele era um homem, um herói assim como seu presidente disse sobre todos aqueles homens honrados que estavam se entregando para lutar para que o mundo fosse livre um dia.
Lágrimas foram derramadas na despedida e gritos de euforia foram libertados por todos aqueles que acompanharam a ida dele e de todos os outros grandes heróis para o campo de batalha. Ele era e seria sempre um herói.
Mal sabia ele que alguns meses antes um rapazote de mais ou menos 15 anos se deparou com sua casa destruída depois de um ataque aéreo de “heróis” que há muito tempo combatiam contra seu povo.
Mal sabia ele que naquela casa morreram durante aquele ataque os pais e irmãos daquele rapaz. Mal sabia que este havia sido salvo por revoltosos que prometeram a ele vingança e mais que isso, eles o prometeram a conquista da paz ao seu povo tão sofrido e alvejado, porque afinal quem invadiria outro país e mataria seus civis por nada? “O ódio começou deles”, foi isso que aquele rapaz ouviu.
E este acreditou.
Ele quis honrar a memória da sua família que nada tinha feito além de ter nascido e se criado naquele país e ter assumido as crenças e tradições daquele povo que era seu povo. Ele quis ser herói e foi, porque ele conseguiu matar vários homens que, segundo o seu líder confidenciou a ele e aos seus amigos, estavam se preparando para um dia os atacar. Ele havia conseguido junto com seus companheiros interceptar alguns que um dia seriam assassinos do seu povo.
Não conseguiu receber os louros da sua glória porque seu avião foi abatido, mas sua missão tinha sido cumprida. Ele foi herói e sempre o será... para seu povo.

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