quarta-feira, 19 de março de 2014

Sobre ser fã

Ontem, aqui no Brasil, foi o dia do fã;
Esse é um assunto delicado, pode parecer aos de fora algo um tanto paranoico, na verdade, em alguns casos até o são, mas a verdade é que uma pessoa que nunca foi fã não tem direito de falar sobre esse assunto.
Quem passa por isso, quem sofre na pele, quem por algum motivo tem no seu coração um amor profundo por alguém que provavelmente não sabe que ele existe, quem que simples e puramente admira alguém pelo seu trabalho, por sua entrega, por seu jeito, quem sente que sua vida foi salva de alguma maneira por outra pessoa, só quem passou e passa por isso e tantas outras coisas tem o direito de falar sobre o que é ser fã, todos os outros devaneiam cercados de suas próprias crenças e pensamentos e que, por fim, tem seu discurso carregado de frieza, distância e vazio. Nada que se possa levar em conta.
Mas toda essa introdução não é para que eu teça um discurso sobre como são as fãs, ou os ídolos, ou a relação entre um e o outro, na verdade eu quero expor meu sentimento sobre a exposição desacerbada dos ídolos.
Quero até mesmo fazer um relato pessoal sobre isso, não da vista de eu ser famosa, mas de ser fã e de ter dois ídolos que tem suas vidas em dois estremos opostos  e como vejo, de fora, isso.


Primeiramente, eu sou da Geração HP, eu sou Potterhead com o maior orgulho que se possa ter, e desde os meus 14 anos eu alimento um amor platônico pelo ruivo mais perfeito do mundo que vem a ser o Rupert Grint, eu praticamente padeço diante dos olhos daquele homem, do sorriso, dos cabelos ruivos, eu certamente o agarraria e entrelaçaria minhas pernas em torno da sua cintura se o encontrasse vagando pela rua, é paixão!
Mas o amor que sinto é pra além da atração física que ele tem sobre mim, meu amor cresceu pelo fato de quanto discreto ele sempre foi, levando em conta que entrei para o mundo tecnológico só em 2006 e que a internet só foi dominada por mim anos luz após, eu não posso dizer com propriedade de como o Rupert se comportava na internet antes, mas desde que o conheci ele evita redes sociais, site pessoal e há muita, mas muita pouca coisa mesmo sobre a vida pessoal dele.
Alguns tumblrs há anos atrás ainda conseguiam fotos, notícias, mas sempre foram coisas poucas, menos na vez do cigarro, nesta eu queria muito mesmo dar na cara dele, mas fora isso ele nunca foi o grande alvo dos fotógrafos e ele conseguia manter sua vida amorosa longe do grande público e o modo como ele conduzia tudo isso me encantava e ainda encanta invariavelmente, eu gosto tanto da minha privacidade que acho um crime que invadam a do outro só pra meu deleite, isso é cruel com o outro lado.
Graças a esse comportamento dele era e é muito fácil ser fã dele, sempre há algo sobre filmes novos, alguma premiação, algo que mostre que ele está vivo e bem, não havia com o que sofrer, sem fotos, sem dramas pra ele e pra mim, eu só o amo, amo seu trabalho e amo o seu jeito de ser, da sua descrição.

Agora quero partilhar sobre um segundo caso, o caso mais difícil, meu caso de amor perpetuo com o cupcake perfeito de cachinhos, covinhas, sorriso e olhos perfeitos, meu caso de amor profundo e totalmente platônico com Harry Styles.
Eu sou Directioner, eu amo a todos os meninos, amo realmente, amo tanto que dói e não me importo com a opinião alheia correndo pelo fato que pouco me importa o julgamento de quem pouco entende até mesmo de suas cirolas. E então eu os amo, mas seria hipócrita se falasse que não tenho um preferido, um com o qual sonho com os olhos, com o beijo (sim eu pareço uma adolescente psicótica, e o sou interiormente, mas sou feliz, tente ser também qualquer dia), com as covinhas expostas a se deleitar num sorriso por minha causa, com as mãos envolta de mim, seria hipócrita se não admitisse isso e enfim, eu tenho meu favorito da banda e ele, infelizmente, é o Harry, meu menino.
Infelizmente, eu digo, porque ele é exatamente o oposto do meu pacato Rup. Enquanto meu ginger tem uma vida pessoal realmente pessoal, meu Cupcake tem a vida exposta, escancarada.
Escancarada ao ponto de você não saber onde começa a mentira e onde a verdade se faz presente, o próprio fandon é, em grande parte, uma porra de crianças loucas, mimadas que se acham donas dos meninos e que além de ofender inventam coisas, principalmente em alguns assuntos insuportáveis.
Além de toda esse disse me disse onde você deve sempre desconfiar de tudo também há os paparazzis.
Eu poderia simplesmente tecer meu veneno perante um trabalho tão podre como os desses fotógrafos midiáticos e como eles são a escória da sociedade, mas para eu sustentar tais argumentos eu precisava não usufruir do produto que eles me presenteiam que são fotos e "notícias".
Há sempre fotos novas dos meninos, há sempre um sorriso com um fã, um sorriso forçado para a câmera, um sanduíche entregue a um fotógrafo, e eu me deleito com essas fotos, como não me deleitaria com um Harry que beira a perfeição andando por aí, saindo do restaurante ou um hotel, como não querer saber incansavelmente se ele está com outra por entre suas mãos e tecer maldizeres por essa simplesmente porque ela não sou eu?
Estar num fandom problemático, infantil e assediado pela mídia te faz sempre ficar a espera de algo, esperar por eles, você vai esperar e amaldiçoar o paparazzi qualquer que não tirou a bendita da foto dele, ou que não ouviu as fofocas proeminentes sobre eles, simplesmente não há como, é um vício.
É delicinha ver as fotos, mas é fácil de esquecer todo o resto pra além daquele background  perfeito que se tem atrás das fotos, a gente esquece porque assim não nos culpamos.
(Harry saindo do Craig’s restaurante
em 12/03/2014)
Mas esses dias tem surgido muitas fotos que mostram o outro lado da foto perfeita, mostram, no caso do Harry, as 7842 câmeras que ficam piscando e piscando contra seus olhos sempre quando ele saí de algum lugar, quando chega de viagem, quando vai fazer qualquer merda que seja, essas fotos tem mostrado o quanto ele é exposto.
Mesmo hoje eu vi uma foto dele dentro do carro a gesticular teoricamente triste cm alguém que estava fora do carro, a legenda dizia "Harry today asking the paps why they were so rude to him...", como disse antes pode se tratar de um rumor, talvez fosse nada disso, mas considerando o quanto sensível e envolto a drama esse homem é pode ser verdade e mesmo que não seja você tem que pensar o quanto dói esse assédio, o quanto dói até mesmo os olhos por causa de intermináveis flashs, você nem ao menos pode mandar todos a merda já que você é famoso e tem que dar exemplo, não pode se negar a tirar um foto, a sorrir porque as menininhas afobadas saíram gritando ao mundo como você é mal se o fizer, você não pode estar com alguém porque logo te xingaram nas redes sociais, logo terão um relatório conturbado de toda a árvore genealógica da garota. Não há maneira alguma de estar num relacionamento normal, de abraçar em lugar público, demostrar carinho, simplesmente ser um casal normal quando se é famoso assim, resumindo isso, é um inferno, é uma porcaria é doloroso, é doloroso pra ele, é doloroso pra mim.
Seus sorrisos são falsos, não porque ele é falso, mas porque simplesmente ninguém sorri com a cara empastada 24h por dia. Me irrito quando nas legendas dos Harry Todays as meninas suspiram e dizem como seu sorriso é perfeito, não, não é  perfeito, ele é fingido, ele tenta dar o seu melhor, ele tenta sorrir, mas só na cabeça de pássaro dessas meninas que pode haver felicidade plena no fato de que até sair na rua é impossível e que possivelmente há uma aglomeração de impedindo de caminhar, de respirar, gente que você nunca viu falar que te ama, tirar foto, ou ficar de jogando perguntas, frases boas ou ruins, só na cabeça delas isso é concebível porque pra elas isso as faz bem, as faz se sentirem "preenchidas", atualizadas, é concebível porque NÃO É COM ELAS.
Eu passeis 5 dolorosos anos sendo vigiada, ainda o sou, mas hoje eu geralmente respondo e mando a cuidarem de sua vida, e nesses 5 anos eu tive dolorosas mágoas com algumas coisas, eu me senti limitada, me senti presa e isso me trouxe dores e feridas que me mudaram pra ruim, e tendo em vista que a pressão que sofri é menos que 1% que o Harry ou os meninos sentem eu pondero a grande dor que passa por entre o coração deles e quanto profundo talvez algumas coisas tenham os ferido.
Eles só tem um dom, só fazem o que amam, isso não deveria ser tratado assim, as pessoas não deveriam ser tratadas como pedaços de carnes expostos em vitrines, não deveriam!
Ser bom em algo e bem sucedido nisso em hipotése alguma deveria ter entrelaçado em si que você deixaria de ser uma pessoa e passaria a ser um produto que precisa de atualização constante de fotos e exposição de funcionalidade em manuais (jornais, revistas, sites).
As pessoas só deveriam amar, amar....

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